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20 de setembro de 2021 Gabriel Clemente

Como é ser intérprete de Libras?

“Seria muito bom se isso que estamos fazendo tivesse acessibilidade em Libras. Ah! Vamos chamar um intérprete!”.

Conversas como essa têm se tornado cada vez mais comuns, por exemplo, em uma equipe trabalhando em um projeto para uma empresa, em organizações de eventos culturais, em preparações de conteúdos para redes sociais, etc. A comunidade surda agradece! E os intérpretes também.

O número de pessoas que decidiram investir tempo e recursos para se profissionalizar como intérpretes e tradutores de Libras vem crescendo a cada ano. Há certo tempo pensava-se que um intérprete atuaria apenas em instituições de ensino, em palestras ou órgãos públicos. Mas isso vem mudando.

A demanda de acessibilidade para os surdos também vem crescendo em outros ambientes, especialmente desde 2020 com o começo da pandemia. A necessidade de aulas, reuniões e eventos apenas no ambiente virtual e a produção de conteúdos acessíveis na TV e na internet, trouxe uma nova perspectiva do futuro dessa profissão que, para muitos, já é o presente. Leia mais para saber como é ser um tradutor/intérprete de Libras.

Ver nos olhos de um surdo a sua gratidão pelo bom trabalho que realizaram, traz grande satisfação para o profissional que atuou. O sentimento é de dever cumprido.

• Valor: Que preço cobrar?

Assim como acontece em muitas profissões, alguns não querem pagar o preço que vale pelo serviço prestado. E tornar seu produto ou conteúdo acessível em Libras tem seu preço. É claro que há no mercado, diversos preços cobrados para cada categoria de serviço e seguimento. No entanto, um serviço de qualidade não é barato, e isso não acontece apenas no assunto que estamos abordando, não é mesmo?

Esse pode ser um dilema para o intérprete que presta serviços sem vínculo empregatício com o governo ou com uma empresa. Talvez ele esteja começando e precisa aumentar sua carteira de clientes. “Se eu cobrar caro, ele vai encontrar outro que faz mais barato, mas se eu cobrar barato não compensa o trabalho…” É um verdadeiro impasse!

Se você é intérprete e está passando por isso, reconheça a qualidade do seu trabalho, mostre para o potencial cliente como você é bom no que faz e que ele não vai ter dor de cabeça com você. Apresente os trabalhos que você já fez e tenha coragem! Cobre o preço que vale, mas também não exagere. Tente equilibrar essas questões.
Mas se você está do outro lado e está procurando um serviço de qualidade, recomendamos que conheça os serviços da Libraria. Fique à vontade para entrar em contato conosco.

• Complexidade na hora da tradução.

Como muitos sabem, para ser um bom tradutor em qualquer idioma, o profissional deve ter certa medida de conhecimento em assuntos gerais, além da fluência na língua alvo. Mas se você perguntar para qualquer tradutor se ele se sente mais confortável ao traduzir certo tipo de assunto do que outro, a resposta vai ser sim! É óbvio que há assuntos que não conhecemos e que são difíceis de traduzir.

Em Libras isso também acontece e talvez de forma mais significativa, principalmente porque, em certos campos e áreas de estudos, não há sinais disponíveis para falar sobre o assunto. É aí que entram os classificadores, que são “tipos de morfemas que representam objetos, pessoas e animais, descrevendo-os quanto à forma, ao tamanho e incorporando-lhes ações.” (Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba).

Para a maioria dos intérpretes de Libras, sinalizar um assunto de que não se tem conhecimento, talvez complexo até para quem é da área, e, ao mesmo tempo tentar se expressar usando classificadores pode não ser impossível, mas com certeza também não é uma tarefa fácil. Portanto, é necessário certo tempo para estudo e compreensão do assunto antes de efetivamente traduzir o tópico em questão, o que talvez, na prática, não aconteça.

• Interpretação simultânea: um desafio constante.

Interpretação simultânea é a tradução para a língua alvo ao mesmo tempo a fala de um orador. Então tente se colocar no lugar de um intérprete que faz isso: você tem que ouvir o orador, processar o que ouviu, entender o assunto, pensar em como transmitir a mesma ideia no outro idioma e por fim efetivar a tradução. Tudo isso em frações de segundos e sem parar, por que geralmente um orador não faz pausas em sua fala para que o intérprete traduza com calma suas frases.

Portanto, como você deve imaginar, essa é outra dificuldade em ser um intérprete de Libras. A boa notícia é que não é impossível e à medida que o intérprete vai ganhando experiência e prática, esse processo acontece naturalmente.

Os surdos não têm acesso aos mesmos conteúdos e informações que os ouvintes têm, que talvez nem pensem como seria o mundo e como seria suas vidas caso precisassem de alguma informação mas ela não estivesse disponível. É raro pesquisar na internet algo em português e não encontrar nada. Mas isso é bem comum na língua dos surdos.

Portanto, a grande maioria dos profissionais de tradução em Libras se sentem felizes e realizados ao concluir um trabalho. Eles sabem que aquilo que fizeram pode, e provavelmente vai fazer grande diferença na vida de uma pessoa. Ver nos olhos de um surdo a sua gratidão pelo bom trabalho que realizaram, traz grande satisfação para o profissional que atuou. O sentimento é de dever cumprido.

Em conclusão, podemos dizer que, é verdade, há dificuldades e complexidades em ser intérprete de Libras, mas não temos dúvida de que vale muito a pena.

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